terça-feira, 27 de outubro de 2009

UM PROGRAMA ECOLÓGICO É URGENTE

Engana-se quem imagina que - e muitas pessoas imaginam isso - o pensamento ecológico restrige-se à um processo de preservação ambiental onde reduzimos o consumo, separamos o lixo e plantamos uma árvora.

Evidentemente que frear o consumo desmedido, incluir práticas ecologicamente saudáveis no nosso cotidiano e plantar árvores em tanto espaço quanto possíveis fazem parte do pensamento ecológico.

Mas o pensamento ecológico é muito mais que isso. O pensamento ecológico em seu potencial mais abrangente é capaz de perceber e dar conta do ambiente, da humanidade e da sociedade.

Atualmente usa-se muito o termo "desenvolvimento sustentável", para designar práticas de produção e consumo ecologicamente corretos. Entretanto, esse "desenvolvimento sustentável" é, hoje, uma maneira de procurar meios de sustentar a produção, quando deveria ser uma maneira de produzir dentro de padrões que não tornem o consumo uma prática insustentável.

Com os avanços atuais nas tecnologias de produção de energia, reaproveitamento de materiais recicláveis, etc, já é possível afirmar que a produção e o consumo já não são mais os grandes vilões. Hoje, a grande batalha deve ser pela mudança na MATRIZ TECNOLÓGICA do planeta Terra. É preciso alterar a matriz energética, a matriz industrial e o modelo de transporte no mundo.

É possível gerar energia elétrica de alta qualidade, hoje, sem a necessidade de construir barragens que alteram geografias inteiras, gerando sofrimento ao homem que perde seu chão e ao animal que é retirado de seu habitat. Tampouco é necessário fábricas nucleares e seu incalculável risco à vida. Só para citar três exemplos, um país como o Brasil poderia utilizar as energias solar, eólica e de ondas como novas fontes ORDINÁRIAS de energia. Esses três processos, hoje tidos como energia alternativa, seriam suficientes para não haver necessidade de novas usinas, sejam nucleares, hidrelétricas ou termelétricas.

A industria mundial tem material em circulação suficiente para reduzir drásticamente a utilização de matérias virgens na produção. A reciclagem pode e deve ser pensada em larga escala e incluída na matriz industrial mundial. Imaginem a produção de celulose onde somente na falta de material reciclável novos materiais fossem empregados. Além disso, é preciso que se lembre de que novas tecnologias surgem a cada instante que reduzem as implicações negativas de nossas atividades no planeta.

Nos transportes, o biodiesel brasileiro substituindo óleos combustíveis poluentes é um grande passo da humanidade. Mas já existem protótipos de veículos motores movidos à energia elétrica cuja potencia os coloca no grupo de veículos que podem tranquilamente ser integrados ao cotidianos das cidades.

Por que a tecnologia desses protótipos não é disponibilizado em escala industrial? "Muito caro", dizem alguns. Ora, não existe caro ou barato quando o assunto à a sobrevivência da humanidade. As consequencias para o nosso mau uso do planeta atinge a TODOS, indiscriminadamente. Sejam cristãos, muçulmanos, espíritas, ateus, judeus, brancos, negros, vermelhos, amarelos, crianças, jovens, velhos, homens ou mulheres, ricos ou pobres. Nem mesmo os que se beneficiam da depredeção ambiental escaparão. Todos, sem exceção, sofrerão as consequencias de nossa irresponsabilidade pelo meio ambiente, pela qualidade de vida de nossos semelhantes e pelas gerações futuras.

Se tecnologias ambientalmente sustentáveis são caras num primeiro momento, cabe aos governos nacionais empenhar-se por reduzir os custos dessa tecnologia. Nem que seja dando o exemplo e empregando-a, gerando assim, uma demanda mínima que servirá como estopim para que o custo seja barateado e novas demandas surjam, criando o círculo de excelencia que tornará aquela tecnologia viável em escala industrial.

Precisamos superar as contradições entre a preservação ambiental e a produção/consumo, pois estes somente são antagonistas quando produção/consumo assumem caráter predatório. Portanto, precisamos adotar uma perspectiva mundial e de simbiose com o meio ambiente, criando, gestando e aplicando modelos de produção e consumo que garantam - ao mesmo tempo - conforto à geração atual e uma herança digna às gerações futuras.

1 comentários:

Isabela Fruet disse...

Boa observação, Mirgon!
Inegavelmente, reduzir o consumo exagerado é uma alternativa bem-vinda, mas não resolve o problema.
Já vi na TV reportagens sobre veículos movidos até a materiais recicláveis, óleo de cozinha...
Energia X ou Y podem até custar mais que o normal, mas creio que, nesse caso, vem a calhar aquele velho ditado: "o barato custa caro"... se as coisas não mudarem, cedo ou tarde vamos ter que desembolsar mais pra sobreviver às consequências dos braços cruzados
Beijos!

27 de janeiro de 2010 14:00

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