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PELO BEIRA-RIO DOS COLORADOS E PARA OS COLORADOS!

Antes que alguém afirme tratar-se de "papo de gente que é contra a gestão", eu fui um dos milhares de colorados que acreditaram e apostaram no nome de Giovanni Luigi na presidência do Internacional - durante as eleições do Inter cheguei a utilizar, como tantos outros colorados, meu Twitter para defender sua candidatura. Não que isso qualifique a crítica... Na verdade não quer dizer absolutamente nada - mas impede que o contraponto seja feito buscando a desqualificação da crítica, transformando-a em "papo de gente que é contrária a gestão"...

Pela primeira vez falo sobre o Internacional aqui no blog - o que deve servir de ilustração para a gravidade do assunto: a reforma do estádio para a Copa 2014. Dos três caminhos possíveis, Luigi defende e força o clube a trilhar o pior de todos, ou seja, entregar a exploração do Beira-Rio para uma construtora durante 20 anos.

As outras duas possibilidades seriam a reforma com recursos próprios ou buscar financiamento em entidades de crédito.

A opção de Luigi - a parceria com uma construtora - poderia ser chamado de cavalo de Tróia, não fosse tão escarrado que se trata de uma fria pesada. Não existe nem a aparência externa de uma boa idéia - além de que cheira mal, muito mal.

Existem muitas questões obscuras nessa "parceria" que bem pode ganhar a alcunha de "privataria". Em primeiro lugar, existe a questão da construtora: Por que a FIFA e a CBF exigem que seja especificamente a Andrade Gutierrez? Por que Luigi entoa o cântico e defende também a Andrade Gutierrez? Será que a construtora possui relações "próximas" de Ricardo Teixeira e Luigi como possuía com Paulo Preto, aquele "arrecadador" das obras do Rodoanel de São Paulo?

O potencial do Beira-Rio pós-reforma durante os próximos 20 anos atinge conservadoramente a cifra de R$ 1 bi. Isso mesmo, 1 bilhão de reais. O valor da reforma é de R$ 250 milhões, sendo que a polêmica gira em torno de apenas R$ 100 milhões, considerando que o valor restante já possui fonte. Ou seja: Luigi quer trocar R$ 1 bilhão por R$ 100 milhões.

O plano da gestão anterior, capitaneada por Vitório Píffero, era realizar a reforma com receitas próprias - o que também não me parece uma boa opção pelo risco de quebrar o caixa e pela certa fragilização excessiva do futebol colorado.

A melhor opção é o financiamento. Isso representa endividamento do clube e é o maior argumento da turma de Luigi para descartá-la. Endividamento sim, e daí? A questão não é o quanto o clube vai se endividar, mas se o endividamento poderá ser arcado pelos cofres do clube - e isso está bem claro ser possível, inclusive sem a necessidade de tocar nas receitas atualmente revertidas para o futebol do clube.

Em primeiro lugar, o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - ofereceu à todos os estádios da Copa 2014 financiamentos com juros "de pai para filho", ou seja, bem abaixo dos valores de mercado. O BNDES costuma ser bastante flexível nas negociações, afinal de contas, existe justamente para facilitar as obras de interesse nacional - caso da reforma do estádio Beira-Rio. Sendo assim, prazos de carência podem ser negociados sem grande dificuldade, permitindo que o Inter somente comece a pagar o financiamento com a obra já concluída.

No limite, 3 anos de arrecadação do estádio já seriam suficientes para pagar o financiamento do BNDES, restando 17 anos de exploração em receitas limpas diretas no caixa do clube. Estes 20 anos de exploração do Beira-Rio - R$ 1 bilhão - representam cerca de R$ 50 milhões por ano. Para ilustrar o que esse dinheiro representa, o Internacional tem equilibrado as finanças com a venda de "um craque por ano", por cerca de metade desse valor.

Manter esses R$ 50 milhões por ano nos cofres colorados não é endividamento, é INVESTIMENTO - e de relativamente curto prazo. É um investimento que "se paga" em apenas 3 anos!

Realizar a obra com o financiamento do BNDES vai garantir que o Internacional não precise mais vender um Alexandre Pato após apenas uma partida como profissional para "equilibrar as finanças". Se esse aporte de R$ 50 milhões por ano fosse uma realidade hoje, talvez a dupla de ataque do Inter fosse Alexandre Pato e Nilmar! Ambos saíram do Inter por exigências de caixa do clube...

A gravidade da situação é enorme. O futuro do Inter se divide em dois caminhos absolutamente diferentes. Ao entregar a exploração do estádio para a Andrade Gutierrez, o Internacional seguirá com o mesmo caixa deficitário que exige a venda de um jogador por ano, seguirá sendo o mesmo clube que forma craques sem ter o prazer de vê-los amadurecer e atingir o auge de suas carreiras no gramado colorado. Nesse caso, de que adianta o "não-endividamento"? É como o empresário que não compra máquinas para ampliar a produção porque não quer endividar-se. Na verdade é até pior que isso: É expandir o negócio abdicando de 100% dele por 20 anos. Que sentido tem isso?

O outro caminho do Inter é ir atrás do financiamento que o BNDES já ofereceu e investir em seu próprio patrimônio. Ao invés de valorizar jogadores para vendê-los para a Europa, o Internacional tem, ao não entregar o seu estádio para a Andrade Gutierrez, as condições econômicas para manter seus jogadores - que só sairão por desejo do clube ou vontade própria. Mesmo que o cinto aperte um pouco no decorrer da obra, não pode ser comparado com os R$ 50 milhões anuais nos cofres do futebol!

Entregar o Beira-Rio para uma construtora por 20 anos é SIM, uma privatização do estádio - sem retorno! O Inter estará trocando seu estádio, sua casa, por uma reforma que o transformará em inquilino por 20 anos. Não vale dizer que daqui a 20 anos o Inter poderá explorar a estrutura... Em primeiro lugar, daqui a 20 anos, muitas reformas precisarão ser feitas em manutenção - alguém acha que a Andrade Gutierrez fará reformas para entregar o Beira-Rio em dia? Daqui a 20 anos o Beira-Rio será novamente um estádio obsoleto em termos de conforto, tecnologias - possivelmente em termos de infraestruturas de segurança, imprensa, etc...

Mas o pior mesmo é que 20 anos é uma vida - o que torna de fato, o negócio na entrega privatista do patrimônio colorado. Daqui a 20 anos eu serei quase cinquentenário, muitas crianças que estão nascendo enquanto escrevo este texto já serão pais e mães, o próprio Giovanni Luigi talvez nem mesmo esteja aqui para testemunhar o estrago de sua ação irresponsável como presidente.

Essa decisão será muito cara ao Internacional. Por isso até mesmo o Conselho Deliberativo carece de suficiente legitimidade para decidir sobre algo que não poderá ser desfeito e que, seja o caminho que for, marcará 20 anos da história do clube, mas que definirá toda a história futura do Internacional pelos próximos 50 anos.

O caminho correto seria que a decisão do CD fosse por um debate amplo com a base social do clube, culminando numa grande consulta ao corpo associado. Se o associado vota para eleger o presidente e os conselheiros do clube para mandatos de 2 anos, é imperativo que tenha o poder de decidir o futuro da instituição pelos próximos 20 anos.

Giovanni Luigi foi eleito para presidir o Inter, mas isso não concede à direção poderes supremos em questões tão graves - mesmo que normalmente os dirigentes pensem que mandato de direção lhes outorga propriedade sobre as instituições - e isso vale para TODOS os clubes - e para seus Conselhos Deliberativos.

Luigi já deu mostras de que não quer ser o presidente que perdeu a Copa no Beira-Rio, mas corre o risco de ser o presidente que privateou (não errei, não é privatizou, é privateou mesmo, de privataria) o maior patrimônio físico do Inter - um patrimônio que foi construído literalmente contando as moedas, construído na base da arrecadação "no chapéu" mesmo...

Essa marca em Luigi será muito mais forte do que o risco de perder a Copa no Beira-Rio. Quando o torcedor se der conta de que perdeu seu estádio, Luigi carregará uma chaga só comparável à de Bandeira, o presidente que rebaixou o Grêmio pela primeira vez na história.

Tenho esperança de que o Conselho Deliberativo do Inter tome a decisão acertada e sepulte de vez essa insanidade inexplicável de entregar o beira-Rio para a Andrade Gutierrez.
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MARCO AURÉLIO: MACHISTA, RACISTA E COM AVERSÃO AO POBRE

Marco Aurélio, chargista do jornal Zero Hora, é um clássico exemplo de como uma pessoa pode ser sem graça. Fosse um ator, Marco Aurélio certamente teria seu lugar em programas como Zorra Total, digno de seu "talento" humorístico.

Fosse somente o fato de Marco Aurélio exercer a profissão errada, eu não dispensaria uma única vírgula de meu tempo para tratar do assunto. Entretanto - e lamentavelmente - não é sua fraca capacidade humorística que faz com que eu escreva pela segunda vez sobre este senhor.

Algum tempo atrás publiquei um artigo sobre o machismo marcoaureliano entranhado em uma charge sobre a presidente Dilma Rousseff (O humor que traveste preconceitos). Não foi a primeira nem a última charge machista de Marco Aurélio - o homem é recorrente ao travestir seus preconceitos em piadas - e de maneira nada sutil ou disfarçada. Sua essência preconceituosa é posta em seu humor de maneira bastante explícita. Cada charge ou piada de Marco Aurélio expõe as entranhas mais profundas de seus preconceitos - e não de uma maneira expiatória, numa tentativa de expurgar e superar seus preconceitos, mas sim de maneira publicitária, como quem faz apologia à diminuição das mulheres, ao ódio racial e de classe.

Marco Aurélio volta a carga neste final de semana, na edição dominical de Zero Hora, lançando sobre nós mais uma carga de seu abjeto preconceito. A seguinte frase é publicada na generosa página inteira que o jornal concede às suas barbaridades: "Durante o Carnaval, acabam os assaltos no Rio. A maioria dos 'gatos' está nos tamborins das escolas".

O carnaval é uma festa de raiz popular e negra, uma festa entranhada nas favelas e bairros populares, não apenas no Rio de Janeiro, mas no Brasil inteiro. Marco Aurélio resume o preconceito que estigmatiza negros e pobres: são todos bandidos.

Ao manter o recorrente chargista em seu jornal, a RBS chancela suas posições machistas e racistas. Com isso, ambos tornam-se visceralmente co-responsáveis por tragédias de limpeza étnica e social que vez por outra irrompem em nosso meio. Quando um jovem como um daqueles que urinaram e picharam um morador de rua em Porto Alegre (A vergonha de Todos Nós) deparam-se com um forte incentivador à seus instintos desumanos. Para outras mentes doentias, pode servir perigosamente de estímulo miliciano: se os "gatos" estarão nos tamborins das escolas, porque não prestar um serviço social com uma bomba caseira?

Independente disso tudo, Marco Aurélio não escorregou numa piada mal colocada, infeliz. Não é o protagonista de um infeliz episódio do qual procurará esquecer e não repetir. Nada disso. Marco Aurélio é recorrente, gosta desse tipo de humor podre e, como todo chargista, assume uma posição militante em torno de algo. No caso do chargista de Zero Hora, sua militância é em prol de sedimentar suas idéias que não afastam-se muito de ideologias que enaltecem a superioridade de determinadas raças e classes sociais.

É lamentável que na terra de chargistas como Santiago, tenhamos que conviver com mediocridades perigosas e preconceituosas como Marco Aurélio.
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MOTORISTA ATROPELA 15 CICLISTAS EM PORTO ALEGRE - DE PROPÓSITO

A barbarie demonstrou toda sua força hoje na Cidade baixa, bairro de Porto Alegre. Um motorista insano atropelou, gratuita e deliberadamente, um grupo de pelo menos 15 ciclistas na rua Luiz Afonso, esquina com a José do Patrocínio.

Segundo relatos, o motorista sentiu-se "incomodado" com o fato de ter percorrido cerca de 100 metros em velocidade reduzida, atrás dos ciclistas. Ao chegar a esquina acelerou contra o grupo de ciclistas atingindo pelo menos 15 ciclistas e fugiu do local. Para ter-se idéia da extensão da quase-tragédia, foram utilizadas nada menos do que 5 ambulâncias para socorrer os feridos.

Felizmente o motorista já foi identificado pela Brigada Militar e encontrá-lo é só questão de algumas horas - se tanto. A barbarie desse episódio beira a ficção. Hoje pela manhã, de tudo que poderia acontecer, quem de nós poderia imaginar que ao final da tarde um louco atropelaria 15 ciclistas por pura raiva?

Episódios como este falam muito sobre nós mesmos. Não vou filosofar sobre isso. Apenas deixar uma proposta de reflexão: Quantas parcelas de cada um de nós ajudaram a acelerar aquele carro?

E para que não se isentem outros culpados: ex-prefeito José Fogaça, não pense que o senhor também não acelerou aquele carro. Prefeito Fortunati, até quando Porto Alegre permanecerá sem ciclovias?
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TÁLIO, O PRÉ-SAL DA BAHIA

Já ouviram falar de tálio? O tálio é um raríssimo metal extremamente valioso, utilizado em indústrias de alta tecnologia, como a da saúde e energia. Atualmente, sua produção só existe no Cazaquistão e na China. Mas issa situação está com os dias contatos.

Na Bahia, no município de Barreiras, foi encontrada uma jazida considerável deste metal. A concessionária Itaoeste encontrou aproximadamente 60 toneladas de tálio, o que representa, em valores de mercado, 360 milhões de dólares. O mundo consome aproximadamente 10 toneladas deste metal por ano, tornando o Brasil capaz de sustentar todo o consumo do metal por um período de 10 anos. 

O detalhe mais importante - depois da jazida em si, é claro - é que a concessionária somente concluiu estudos em cerca de 2% da área destinada à pesquisa mineral. Os demais 98%, embora ainda desconhecidos, apresentam dados animadores, devido à provável continuidade da mineralização e o teor de tálio acima da média obtido na área correspondente aos 2% já pesquisados.

 Se o restante da reserva contiver o mesmo teor da área já conhecida, seu valor pode chegar aos 18 bilhões de dólares. Mesmo que o teor da área reduza em 50%, ainda estaremos falando de 9 bilhões de dólares. Apesar do valor ser infinitamente menor que os valores que envolvem a camada pré-sal, essa descoberta deve atrair ao Brasil investimentos consideráveis de indústrias ligadas ao tálio, ou seja indústrias de alta tecnologia. 

Isso é uma ótima notícia sob o ponto de vista do desenvolvimento brasileiro, inclusive porque deve proporcionar expansão no mercado de trabalho de alta tecnologia, um dos calcanhares de Aquiles do Brasil que, sem opções de aproveitamento, forma profissionais que acabam sendo aproveitados somente fora do país.

Não tenho informações maiores sobre os termos da concessão, mas é evidente que a exploração da reserva deverá reverter uma boa soma de recursos, tanto ao governo baiano quanto à União. Sempre uma ótima notícia em um país de economia aquecida e com tantas necessidades de investimento - em todas as áreas.
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VIOLENCIA CONTRA A MULHER: POLICIAL REVISTADA E DEIXADA NUA POR DELEGADO

Quando uma mulher sofre uma violência de qualquer natureza, o procedimento correto é procurar, imediatamente, a polícia. Mas o que fazer quando a própria polícia comete esta violência? Em São Paulo, uma policial acusada de receber propina foi algemada e teve suas roupas arrancadas por policiais HOMENS, apesar da presença de policiais femininas na delegacia - o que apenas agrava, pois mesmo ausentes, a situação possibilitaria que policiais mulheres fossem chamadas de delegacias próximas, o que exclui completamente a necessidade da revista ser feita por homens.

As imagens são absolutamente chocantes - pela brutalidade, pelo desespero, pelo desvirtuamento de homens a quem entregamos o cuidado de nossa segurança. A policial - tendo recebido propina ou não - aceita ser revistada, desde que em presença exclusiva de policiais femininas - direito que é assegurado por lei. Infelizmente, não é isso que acontece. Apesar de não se negar a colaborar, a policial é algemada e tem suas calças arrancadas por três homens e uma mulher.

O intrigante das imagens é que não se percebe o momento em que o dinheiro ( R$ 200,00) é encontrado no corpo da policial. Após deixá-la nua, o delegado Eduardo Henrique de Carvalho Filho (que aparece de vermelho no vídeo) e é um dos principais agressores, aparece com o dinheiro na mão e repete inúmeras vezes que ela está presa em flagrante, que ali estava o dinheiro. A forma com que o delegado expõe o dinheiro, o tom de sua voz e seu comportamente durante toda a gravação é, no mínimo, intrigante. Fora a clara prepotência, o abuso de poder e de força, o machismo e a vontade imperante de humilhar a policial, Eduardo Henrique demonstra regozijo na "vitória", quase como se estivesse pensando "ufa, o plano deu certo, vamos nos livrar dela".

Outro fato intrigante desta história - as imagens são de 2009 - é que a policial, mesmo com o processo ainda em andamento, já foi expulsa da corporação. Como ela pode ter sido expulsa da corporação se, pela constituição, todos são inocentes até que se prove em contrário? Como ela pode ter sido expulsa se o processo ainda não foi encerrado - portanto ainda não pode ser considerada culpada? Será que essa moça representava algum tipo de ameaça, sabia de algo que não deveria saber? Ela pode até ser culpada - o que as imagens não permitem concluir, já que o dinheiro pode nunca ter saido das mãos do delegado Eduardo Henrique - mas isso não exclui a estranheza da vontade dos envolvidos em livrar-se logo da então escrivã da Policia Civil.

Existe ainda um outro fato digno de nota: A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo manteve estas imagens sob sigilo. Por que? Por que a secretaria manteve em sigilo? Talvez apenas para não haver desgaste político, mas ainda assim, atitudes contra estes agentes envolvidos deveriam ter sido tomadas - e não foram! Por que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não tomou nenhuma medida diante das cenas brutais de ação de sua polícia? Por que nenhum processo administrativo foi aberto contra eles? Será que este procedimento é aprovado pelo governo paulista? Parece que sim... Felizmente, parece que o Ministério Público não aprova e está investigando o caso.

Veja as imagens: 




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O CINISMO DOS ESTADOS UNIDOS

Em pronunciamento feito após a queda de Hosni Mubarak, Barack Obama demonstra todo o cinismo e capacidade de manipular a realidade dos fatos.

Os Estados Unidos não tiveram qualquer participação na queda de Mubarak. Pelo contrário, seu governo sempre pronunciou-se a favor da estabilização do governo, de reformas de mudança econômica (mas nunca falaram em mudança de governo ou reformas políticas) e ficou por aí. Agora, depois do povo derrubar Mubarack, Obama vem à público parabenizar a força do povo e defender, de forma vazia, a liberdade e a democracia.

Conhecem o ditado "vão-se os anéis, ficam os dedos"? Parece que esse é o centro da estratégia dos Estados Unidos agora, com relação ao Egito. Os anéis, ou seja, o regime capitaneado por Mubarak, foi-se. Agora a energia deve ser focada na preservação dos dedos, ou seja, na preservação da parte do regime que não caiu.

Quando um ditador governa por 30 anos, é evidente que ele não governa sozinho. Na realidade, ele é só a expressão do poder. Muitos outros níveis e fatias do poder fragmentam-se em outras mãos. Apesar de Mubarak ter saído, a maior parte destas outras mãos permanecerão no poder - inclusive na junta militar que controlará o país até a eleição.

Mubarack em pronunciamento afirmou que farão "o que for preciso para assegurar uma transição que seja aceitável ao povo egípcio e preparar o caminho para a democracia". Como assim? Eles assegurarão transição no Egito? Eles vão preparar o caminho para a democracia?

Em primeiro lugar, se os Estados Unidos apoiassem verdadeiramente a democracia no Egito, teriam se posicionado desde o início ao lado dos manifestantes. Na verdade, eu nem entendo exatamente a necessidade do Barack Obama fazer algum pronunciamento além do lançamento de uma pequena nota.

O Egito deve fazer sua transição da forma que tiver que fazer, mas de forma soberana. Cada país tem um compasso, cada país tem uma forma de se organizar, independente daquilo que pensamos sobre eles. Se os egípcios permitirem a participação dos Estados Unidos nesse processo de transição, corre-se um risco ainda maior de que o próximo governo seja formado por sobreviventes do regime Mubarak.

Antes de pensar na democracia e no bem-estar do povo egípcio, os Estados Unidos estão preocupados muito mais com o petróleo, o controle do Canal de Suez e a fronteira do Egito com o campo de concentração Faixa de Gaza, onde os israelenses mantém os palestinos em cativeiro. Aliás, porque é mesmo que os Estados Unidos não interferem nesse cativeiro? Ah, sim, me lembrei! É que Israel é um importante parceiro dos Estados Unidos - e os amigos podem!

Durante 30 anos os Estados Unidos puderam ajudar na construção de caminhos que pudessem tornar o Egito um país democrático. Não o fez por interesses próprios - controlavam Mubarak. Agora, depois que o próprio povo decidiu que já era hora de Mubarak sair, Obama vem falar no papel dos Estados Unidos na construção da democracia? 

O povo egípcio mostrou que não precisa que lhes indiquem o caminho da democracia. Eles mesmo estão construindo e iluminando esse caminho.
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VITÓRIA POPULAR: MUBARAK CAIU!

O dia 11 de fevereiro de 2011 ficará marcado na história, não apenas do Egito, mas de todo o mundo. O dia 11 de fevereiro de 2011 marca a queda de uma ditadura que perdurou por 30 anos no Egito - e com a marca histórica da força popular.

As imagens que são vistas da população egípcia nas ruas do Cairo impressionam pela energia que transmitem: a força da alegria da vitória desse povo heróico realmente emociona. A vitória do povo egípcio está longe ainda de ser a conquista da liberdade e, ainda mais distante, a construção da democracia. Entretanto, a queda de um regime que asfixiou o Egito por 30 anos é o primeiro passo - e que passo! - para se chegar à tão sonhada conquista de direitos civis, liberdade e democracia.

Mubarak deixa pelo menos duas viúvas de seu regime: Israel e Estados Unidos. Ambos sustentavam o regime de Hosni Mubarak no Egito - logo os Estados Unidos, que justificam suas incursões militares no mundo como uma cruzada pela liberdade e pela democracia... A queda de Mubarak, de certa forma, mostra a fragilização da influência dos Estados Unidos no mundo - e consequentemente, a fragilização de Israel, que deve boa parte de sua força política ao país norte-americano.

Além de Mubarak, o general Omar Suleiman também renunciou, decretando que, momentaneamente, um conselho militar assuma o comando do Egito. A tendência é que essa junta militar administre o país pelos próximos meses, visto que as eleições no Egito estão marcadas para setembro. O que é preciso atentar é com relação à Constituição egípcia, que, segundo analistas, determina que em caso de queda de governantes como a que aconteceu hoje, as eleições devem ser chamadas num prazo máximo de 2 meses.

Apesar dessa grande vitória da população, a guerra não está resolvida. Existe o risco, agora, de que Suleiman venha a concorrer nas próximas eleições, determinando o retorno do regime. Vale lembrar que um regime ditatorial não é composto somente pelo ditador-em-chefe. Um regime envolve ramificações em todas as estruturas e envolve um número gigantesco de pessoas - ainda mais tratando-se de uma ditadura de 30 anos - entre membros da facção política no poder e aqueles que se beneficiam, de alguma forma, das relações com os homens no poder.

Tunísia, Iêmen, agora Egito... A efervecencia desses povos pela liberdade começam a contaminar toda a região. As transmissões sobre o Egito estão censuradas no Irã - nada pode ser transmitido! Apesar da resistência dos detentores do poder, existe uma grande possibilidade de estarmos acompanhando uma mudança cultural importante no Oriente Médio. Não é possível determinar a extensão, mas já é possível perceber que esses povos já não estão mais dispostos a abdicar de suas liberdades civis e políticas.

Cabe a todos nós apoiarmos esse processo e estarmos absolutamente vigilantes com relação aos movimentos que os apoiadores dos regimes ditatoriais do Oriente Médio possam fazer.

Esperemos que essa junta militar cumpra exatamente o seu papel, ou seja: administrar o país e organizar as eleições democraticamente para o prazo máximo de setembro, apesar da constituição determinar que essas eleições aconteçam em no máximo 2 meses. E que o próximo governo consiga realizar as reformas políticas necessárias para colocar o Egito no caminho da democracia.

Mesmo assim, apesar de todas as preocupações, hoje é dia de comemorar. E só! Parabéns ao povo egípcio por essa enorme vitória!
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BRASIL: UMA DEMOCRACIA COM FALHAS (?)


O instituto Economist Intelligence Unit - braço da revista The Economist - publicou uma pesquisa sobre as democracias - ou não-democracias - do mundo. O trabalho já é desenvolvido anualmente há algum tempo.

Alguns dados da pesquisa, publicada no jornal Zero Hora, chocam logo de cara ao leitor minimamente atento:
Não, ao contrário do que a arrogância estadunidense afirma, discurso após discurso, e que a imprensa ao redor do mundo faz o (des)favor de legitimar, os Estados Unidos não são o grande paraíso democrático que se imagina. Grande, sim - paraíso democrático não. 

Na realidade, os Estados Unidos não figuram sequer entre os quinze países melhor colocados em termos de democracia: aparece numa modesta 17ª colocação, atrás de países como Malta e República Checa. O título de país mais democrático do mundo, segundo a pesquisa, é da Noruega.

A pesquisa divide o mundo em 4 grandes blocos: Democracias Plenas (1º ao 26º), Democracias Falhas (27º ao 79º), Regimes Híbridos (80º ao 112º) e Regimes Autoritários (113º ao 167º). Vamos encontrar o Brasil na 47ª colocação geral, já caindo no grupo das Democracias Falhas.

Apesar de a Zero Hora não disponibilizar a integra do documento, composto de 46 páginas, consegui acesso à pesquisa do EIU, que traz alguns dados laterais bem interessantes - e que, é claro, foram sonegados ao leitor do jornal. A primeira informação apresentada de forma bastante nebulosa e confusa é o que torna a democracia brasileira uma democracia falha. A matéria, ao explicar as nuances para que se defina uma democracia, se resume à uma declaração do professor da PUC/RS Hermílio dos Santos, que afirma que "o egito tem eleições. A Venezuela tem eleições. Nem por isso são democrático".

Lamentavelmente, a matéria induz nas entrelinhas o leitor a responsabilizar os governos e os Estados como os elementos definidores do que sejam democracias, ditaduras e outros tipos de regimes. Eles realmente são, mas apenas de forma parcial.

É nesse ponto que a ideologização midiática surge mais uma vez em sua forma mais manipuladora. No caso do Brasil, o que coloca o Brasil na 47ª colocação e com status de uma democracia falha não é nem o governo, nem o modelo do Estado, mas nossas cultura e participação política (volto a esse ponto mais a frente)! Isso é citado na matéria apenas de forma tangencial, quase que a contragosto, para poder apresentar os números brasileiros da pesquisa.

Com acesso ao quadro completo de notas da pesquisa, novos e interessantes dados descortinam-se. A nota final é composta por cinco notas intermediárias: 1 - Processo Eleitoral e Pluralismo; 2 - Funcionamento do Governo; 3 - Participação Política; 4 - Cultura Política e; 5) Liberdades Civis.

A primeira delas é que, de perto, as "democracias plenas" não são tão plenas assim. Dos 26 países: 1) nenhum obteve nota acima de 9,4 em todos os quesitos; 2) apenas a Noruega obteve todas as notas acima de 9; 3) apenas 6 países (Noruega, Islândia, Dinamarca, Suécia, Nova Zelândia e Holanda) obtiveram todas as notas acima de 8 e; 4) 11 possuem pelo menos uma nota abaixo de 7, sendo 4 abaixo de 6 e 1 abaixo de 5!

Olhando de perto, a maior parte dos países chamados "democracias plenas" confunde-se com os países de "democracias falhas" e vice-versa. É com esse olhar de perto que vemos ruir alguns mitos.

Muitos defendem que o Brasil deveria espelhar-se nos Estados Unidos para organizar sua política. Talvez a população brasileira tenha algo a aprender com a população dos Estados Unidos em matéria engajamento, participação e compreensão da importância da política. Mas fica por aí.

O jogo vira completamente quando nos debruçamos justamente naqueles pontos em que os Estados Unidos são tidos por alguns analistas como um grande exemplo: organização do Estado, processo eleitoral e liberdades civis. A despeito de todos os analistas que insistem em usar a grande água do norte como base para realizar mudanças políticas no Brasil, estamos muito a frente deles nesses quesitos. Tivéssemos maiores cultura política e participação política, seriamos considerados um país de democracia plena, talvez bem a frente da modesta 17ª posição ocupada pelo país de Obama.

Se avaliarmos apenas os dados de Organização do Estado, Processo Eleitoral e Liberdades Civis, o Brasil alcança uma nota média de 8,73 contra 8,52 dos Estados Unidos! Ou seja: Adentra o rol das "democracias plenas" e ultrapassa os Estados Unidos como exemplo de democracia!

Mas as "surpresas da organização democrática" brasileira não ficam por aqui. Permanecendo somente com esses três dados, o Brasil estaria mesmo entre as 15 "potências democráticas", Perdendo por muito pouco - para a mesma média de três dados - para Áustria e Alemanha, respectivamente 13º e 14º colocados no ranking.

Entretanto, isoladamente, o mais agressivo dos dados, na minha opinião, é o que fala sobre as liberdades civis. Segundo a notação, os Estados Unidos possui nota 8,53 em liberdades civis, quando o Brasil atinge a já excelente marca de 9,12! É assombroso - em tempos de imprensa que constantemente faz-se de vítima, afirmando-se censurada - que na realidade nossa democracia conceda mais liberdades civis do que os Estados Unidos! Assombroso, evidentemente, para os adoradores do "American Way of Life", porque - faça-se justiça! - aqueles que não iludem-se com o tão maravilhoso quanto mortal canto da sereia, sempre souberam o que esses dados somente atestam! 

Mas... Se o conjunto de números desfaz o mito da democracia estadunidense e sua pseudo-superioridade sobre a democracia brasileira, o fato é que essa pesquisa também diz muito sobre nós mesmos.

Temos que admitir - para o nosso próprio bem! - que a pedra dentro do nosso sapato não está na estrutura do Estado, nos governos, ou em qualquer outra espécie de instituição palpável. A boa notícia é que, parece, estamos no caminho certo em nossa política. A má notícia é que os problemas concentram-se em um terreno espinhoso.

Precisamos fazer avançar nossa cultura política e também o engajamento na construção de políticas, de leis e na formulação e execução de soluções para nossos problemas. O Estado é, por excelência, um "resolvedor de problemas" e um "administrador de áreas comuns". A base da necessidade do Estado está justamente na existência de problemas, necessidades e "áreas comuns". Essa é toda a origem da organização social estatal.

Dentre todas as formas de organização estatal que o mundo já viu, de todas é a democracia quem mais se aproxima da concepção que temos de um Estado ideal. Entretanto, o Brasil é jovem demais - somente 500 anos - para que a história seja base de lapidação do presente e janela de visualização do futuro. Tanto é que nossos modelos de organização social são TODOS importados. Falamos em Adam Smith, falamos em Marx, mas ainda não temos uma organização social baseada em conceitos nacionais. Isso, evidentemente, torna muito mais distante da população uma idéia de comprometimento com o que se está fazendo. 

Como exemplo, podemos citar nosso Senado, cuja primeira legislatura tomou posse em 1826, inspirado na "Câmara dos Lordes" bretã, criada em 1707, resultado da fusão dos parlamentos dos países formadores da Grã-Bretanha, entre eles a Inglaterra, cuja extinta Câmara dos Lordes inglesa, extinta na fusão, fora instalada em 1241. Entretanto, as experiências de formação parlamentar na Inglaterra são registradas desde 1066, com Guilherme da Normandia. 

Enquanto o PCdoB é o partido em atividade mais antigo do Brasil com 88 anos, na Noruega - país mais democrático do mundo - o Partido Trabalhista Norueguês possui 124 anos e muito vigor, com atualmente 64 das 169 cadeiras do parlamento.

A história política do Brasil inicia-se com a chegada dos portugueses em 1500, enquanto boa parte os países com tradição e engajamento político de sua população remonta dois, três mil anos. O elemento da juventude tenra de nosso país tem influência direta na nossa identificação com a questão nacional. Boa parte do país ainda respira os núcleos de imigração. Somos educados aprendendo que somos alemães, italianos, portugueses... Nossos nomes nos denunciam! A arquitetura, culinária e cultura de boa parte das nossas cidades de porte médio e pequeno ainda são "tipicamente" desta ou daquela cultura. Só não existem cidades tipicamente africanas porque estes estavam nos troncos e nas senzalas - mas sua culinária, língua e costumes ganharam terreno em todo o território nacional. O que não existe ainda é a brasileirização de nossa população - mesmo quem já estava aqui, nossos indígenas, são apenas parte desse quebra-cabeça.

Na Alemanha existe a cultura alemã, na Inglaterra a cultura inglesa, na Noruega a cultura norueguesa... Estes países de identidade tão antiga já foram jovens, já foram um emaranhado de grupos menores, imigrantes, povoados independentes. E no Brasil? Por conta de nossa juventude, parte de nossa tarefa é a diluição de todo esse emaranhado cultural do Brasil numa fusão formadora de nossa identidade única, indivisível, nacional - em outras palavras, construirmos verdadeiramente a pátria brasileira, ainda inexistente. 

É preciso que nós todos compreendamos, além dessa justificativa histórica, a importância da organização estatal. Existe uma parcela significativa da população que, por não utilizar diretamente os serviços do Estado, pensa não sofre influências da política. Ledo engano - e sobre isso sequer preciso discorrer uma palavra, basta que se leia "O Analfabeto Político", do dramaturgo alemão Bertold Brecht.

Para além da compreensão da importância do Estado - que por si só é algo hercúleo - é preciso fazer com que as pessoas compreendam as relações de poder que existem no Estado - e onde situam-se nisso tudo. Precisamos entender que a democracia é algo muito mais complexo, em termos de poder, do que simplesmente ir as urnas a cada 2 anos como fazemos. A democracia é um exercício cotidiano de cidadania e participação. Não apenas fiscalizar se o seu representante no legislativo está cumprindo suas funções, mas tomar parte na formulação mesmo do mandato, ajudando a formatar a política que o representante irá defender. Afinal, se ele é representante, deve representar os anseios de seus representados.

Infelizmente nossos pleitos tem eleito tutores e não representantes. Votamos em alguém que decida o que é melhor para nós e nem tomamos conhecimento dos debates, das disputas, das construções - ou desconstruções, muitas vezes - em andamento na sociedade. Isso é entregar a própria tutela nas urnas! A democracia não é um sistema político de tutela, mas de representação. Sendo de representação, todos mantém certas responsabilidades que não deveriam ser abdicadas - mesmo que hajam representantes constitucionalmente eleitos.

Felizmente, parte de nossa população aproveita cada oportunidade, cada espaço aberto para participação para cumprir seu inalienável mandato vitalício de senhor e representante de suas próprias idéias e destino. Nosso desafio é tornar esse comportamento universal em nossa população. Quando isso acontecer, teremos de fato construído uma democracia plena - talvez ainda mais avançada do que as "não tão plenas" democracias do velho mundo.


Texto: Mirgon Kayser
Rev. Ortográfica: Luísa Scherer
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NUBIA OLIIVER: "TODA MULHER SOFRE ALGUM TIPO DE VIOLÊNCIA"

Ainda dentro da pauta da campanha de ativismo digital pelo Fim da Violência Contra a Mulher, e após conversar com o mundo das amantes profissionais - vozes amordaçadas e condições femininas muitas vezes esquecidas nos calabouços labirínticos do preconceito e do rótulo - fui atrás das mulheres do mundo das celebridades, cujas vozes não parecem ser menos amordaçadas e suas condições femininas não menos esquecidas.

Em comum as mulheres desses dois universos tem a rotulagem de suas profissões que sobrepõem-se muitas vezes às suas condições humanas, femininas, de mulheres com direitos, sonhos, desejos.

Meu bate-papo desta vez é com a mineira Nubia Oliiver, modelo, apresentadora de TV, empresária pecuária e mãe de uma menina de 7 anos:

Mirgon Kayser - Gostaria de começar pedindo para que tu nos fale um pouco sobre a violência contra a mulher nesse universo das celebridades. Algumas pessoas ligam a violência contra a mulher à pobreza e a baixa escolaridade dos agressores, principalmente no que tange a violência doméstica. Entretanto, o que se vê diariamente é que a violência não vê fronteiras de classes sociais, escolaridade, raça ou religião. Nos conte um pouco sobre a forma como a violência contra a mulher se manifesta entre as celebridades.

Nubia Oliiver - Se manifesta da mesma forma, mas há uma pressão maior para acobertar os casos. O cuidado com a imagem entre as celebridades é algo mais preocupante, é preciso sempre manter uma certa aura de felicidade para que o público em geral continue acreditando no que quer ver de seus ídolos. É mais difícil lidar com essa quebra de paradigmas. Mas há muitos casos. Não é muito diferente do que encontrando na sociedade em geral. Há homens que sempre tratarão as mulheres como objetos inferiores, seja ele um trabalhador comum ou um grande empresário. 


 Mirgon Kayser - Tu já sofrestes algum tipo de violência?

Nubia Oliiver - Já sofri, sim. Acredito que toda mulher, em alguma etapa da sua vida, sofre algum tipo de violência, seja sela física, moral, emocional ou social. Eu considero uma violência, por exemplo, rotular alguém de fútil, inútil e burra. Ou menosprezar o pensamento apenas porque uma mulher optou por usar sua beleza como trabalho. Preconceito também é uma forma de violência. E sempre há quem leve esse preconceito ao extremo. 


Mirgon Kayser - Como enfrentas essas situações?


Nubia Oliiver - De forma normal mas com repúdio. Um homem que agride uma mulher faz isso por precisar se sentir maior do que ela. E só consegue se for fisicamente. E se ele parte para a agressão é porque já é um ser inferior, de fato. Somente um covarde se rebaixa a esse ponto de precisar se garantir fisicamente. Os grandes homens vencem nos argumentos, no diálogo, no respeito às diferenças. 


Mirgon Kayser - Não sendo a violência contra a mulher uma questão meramente econômica, um efeito colateral da pobreza, de que maneira ela pode ser efetivamente erradicada de nossa sociedade? Qual o papel de cada um de nós, homens e mulheres comuns, na luta pelo fim da violência contra a mulher?

Nubia Oliiver - Não podemos nos acovardar pois não há motivo para isso. Quem precisa se envergonhar são os agressores e aqueles coniventes com os atos deles.  Sei que muitos fatores pesam para a mulher vítima de agressão: a vergonha, o medo, a falta de compreensão, a falta de apoio social e abrigo emocional. Precisamos parar de julgar os motivos da agressão... Sempre usam como desculpa "ah, ela provocou" como se isso fosse justificativa. Nada justifica uma violência. Nenhuma mulher pede para ser espancada, estuprada, violentada moralmente. Falta acolhimento de todos os lados. A luta não é apenas contra os monstros que batem: é uma luta à favor da vítima, sempre! Triste da sociedade que fecha os olhos para isso. 

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MONIQUE PRADA: MULHER, PUTA, BLOGUEIRA

Ao longo dessa semana está acontecendo a campanha "5 Dias de Ativismo Digital pelo Fim da Violência Contra a Mulher". Ativistas da equidade de gênero tem utilizado seus blogs, perfis no Facebook, Orkut e Twitter numa grande mobilização para erradicar esse grande mal que insiste em se fazer presente numa sociedade em que - ainda bem! - as mulheres conquistam cada vez mais o seu espaço como co-gestoras da história da humanidade.

Muitas vezes o debate fica raso, ligamos necessariamente a violência contra a mulher à violência física - principalmente a doméstica. Entretanto, a violência contra a mulher pode assumir várias formas e atacar em qualquer lugar. 

Monique Prada em foto exclusiva para o Blog do Mirgon
Para descortinar um pouco da violência sofrida pelas acompanhantes sexuais, fui conversar com Monique Prada, acompanhante, blogueira, tuiteira (Twitter: @moniqueprada), com uma visão bastante crítica sobre os muros de preconceito, violência e moralismo que cercam a profissão que escolheu para sí. O resultado dessa conversa foi a seguinte entrevista:

Mirgon - A prostituição é um tema bastante polêmico entre feministas e ativistas dos direitos humanos. Alguns defendem que a prostituição é sempre uma violência contra a mulher. Outros afirmam que só existe violência quando a mulher é obrigada a se prostituir, seja por exploração de alguém, seja pela sua conjuntura de vida, sem outras opções para subsistir, mas que havendo outras opções de vida, sendo feita uma opção consciente pela prostituição, não há que se falar em violência, pois a mulher possui todos os direitos sobre seu corpo, inclusive o de utiliza-lo sexualmente como meio de vida, não sendo possível, portanto, algo ser ao mesmo tempo violência e realização. Como acompanhante, qual a tua opinião sobre esse debate?

Monique Prada - Então, Mirgon... Não consigo conceber uma escolha consciente de uma pessoa adulta, como uma violência. Não falo da prostituição infantil e de outras situações degradantes. É certo que a prostituição pode assumir uma forma degradante - e como pode - mas podemos dizer que não é degradante a situação das empregadas domésticas e outras mulheres trabalhadoras? A opção pela prostituição é, na minha visão, cada vez mais uma escolha adulta e consciente. Os níveis de desemprego no país vêm diminuindo nos últimos anos, mas não vejo o mesmo acontecer com o número de mulheres que fazem a opção pela prostituição. Não vejo menos mulheres entrando nesse mundo do que eu via há alguns anos atrás.


Mirgon - A mulher é vítima constante de todo tipo de assédio moral, uma das formas mais bárbaras de violência, muitas vezes esquecida e subestimada, em vista de seus efeitos invisíveis - ao contrário da violência física. De que forma esse tipo de violência atinge as prostitutas?

Monique Prada - Atinge através do preconceito explicitado de forma livre no dia a dia, em conversas de mesa de bar, de comadres ou mesmo, e talvez principalmente, no âmbito da Internet, onde o anonimato nos protege e nos permite abrir mão do politicamente correto com maior facilidade e externar nossos verdadeiros pensamentos. 
Se explicita em piadas, se explicita em ataques diretos individuais (como aconteceu neste final de semana, quando sofri meu primeiro ataque no Twitter) e se explicita de forma perigosamente incitadora à violência, até mesmo física, em alguns foruns e grupos de discussões sobre o assunto. Nestes espaços, onde se deveria estar avaliando apenas e principalmente a qualidade de uma prestação de serviços, ao invés disso, se avalia personalidades, se expõe a vida pessoal, se expõe o preconceito vivo nas mentes urbanas médias. Há tópicos extremamente preconceituosos e agressivos que, mesmo em uma sociedade que nos condena ao ostracismo voluntário e à vergonha de nossa profissão, coisas desta natureza causam repulsa. Já fiz o teste, mostrando a amigas moralistas que nem sonham que participo deste mundo.
Entendo como um crime de Internet permitir que se incentive com tamanha desfaçatez e liberdade o preconceito, o ódio de classes e a discriminação, não só às prostitutas, mas como a menores sem chance de defesa (os chamados 'filhos das putas'* Alguém em sã consciência tem a capacidade de admitir que sejam discriminados assim, às claras? Esquecem que tratam-se de crianças? Em que sentido os filhos dos clientes de putas são diferentes dos filhos das putas?!?!?). Ora, isso não é admissível em uma sociedade que se diz avançar cada vez mais em direção ao respeito dos cidadãos. É inadmíssível que este tipo de forum continue no ar sem nenhuma censura por parte dos órgãos responsáveis.
*Aqui Monique se refere à um tópico em um fórum de discussão onde os participantes trocavam idéias pejorativas sobre a personalidade, a vida e como deveriam ser os filhos das acompanhantes.


Mirgon - Que agressão foi essa que sofrestes no Twitter?

Monique Prada - Aconteceu no sábado pela madrugada. Foi um cara que disse "continua assim. isso é felicidade: comprar roupa, beber, fumar, festa todo dia com a galera. Parabéns, papai ta orgulhoso". E disse sem nem me conhecer, como se fosse uma regra, como se toda prostituta obrigatoriamente tivesse este tipo de atitude. 
Ele é o tipo de gente que sequer considera a possibilidade de que eu possa gostar de ler, escrever, curtir a minha casa,a minha paz. A cultura da futilidade me cansa. Eu sou quietinha, qualquer meia taça de vinho me derruba, não fumo, quando muito, me atraem as 'silent parties', odeio barulho e gente fingindo felicidade. Dispenso. No entanto, não vejo em mim o direito de agredir os festeiros. Depois ele ainda continuou: "tu não é ser humano. tu é um objeto. meus parabéns. sou teu fã. quanto que tá a hora?". Um cara desses destila ódio e ignorância, não sabe a diferença entre "A capital" e "O capital". Mas é um ignorante que incentiva outros ignorantes iguais a ele. E ignorância com ódio preconceituoso pode ser muito perigosa. Agora, como é fácil agredir ao que lhe parece mais fraco. Ainda mais acobertado pela segurança que lhe dá o anonimato virtual. Eu, ainda que não mostre o rosto em minhas fotos, e meu nome seja 'artístico', estou ao alcance de um telefonema. Ele, nem imagino quem seja...


Mirgon - É possível alterar esse quadro? É possível reduzir ou até mesmo pensar na hipótese de virtualmente acabar com o assédio moral, a violência física e o preconceito enfrentado pelas prostitutas?

Monique Prada - Alterar este quadro... Olha, Mirgon: É possível, mas a longo prazo. Civilidade e conduta respeitosa não são coisas que nascem nas pessoas de um dia pro outro, são passadas de geração a geração, é uma questão cultural. Num primeiro momento, a única coisa que barra o preconceito é a repressão. Eu sou contra a repressão. No entanto, há sites onde se dissemina ódio e preconceito de forma violenta, e isso deveria ser tratado como crime de Internet, como são tratados temas referentes a atitudes discriminatórias em geral.


Mirgon - Tu já sofrestes algum outro tipo de violência atuando como prostituta?

Monique Prada - Exceto por estas atitudes das quais te falo, puramente virtuais, até o presente momento, não. Espero não vir a sofrer, mesmo com minhas declarações polêmicas que sempre podem incomodar alguém. Entretanto, apesar de ter a sorte de nunca ter sofrido nenhum tipo de violência física, isso acontece muito, até por conta desse preconceito moralista que as pessoas tem com relação às prostitutas e que faz com que sejamos vistas, como disseram no twitter, como se não fôssemos gente, fôssemos objetos. E objeto a gente pode quebrar à vontade, não? É nesse ponto que considero perigoso o preconceito explicitado de forma tão clara e incisiva no mundo virtual. Considero uma potencial e perigora incitação à violência real e física contra as acompanhantes.


Mirgon - Uma outra acompanhante, Marcela*, teve sua vida interrompida aos 29 anos, assassinada pelo ex-marido. Vocês tiveram uma relação de amizade bastante intensa, tu conheceste e acompanhastes de perto a sua vida. Como foram os anos desse casamento? Havia histórico de violência  na relação deles? 
*Nome Fictício

Monique Prada - Bom, Mirgon, não creio ser relevante o fato de ela atuar como acompanhante. Fosse ela costureira ou advogada, isso não a teria protegido, basta consultarmos os números da violência contra a mulher para sabermos que ela está presente em todas as classes sociais. Aliás, quando nos conhecemos, nenhuma das duas atuava como acompanhante. Tivemos, sim, uma relação de amizade bastante intensa e sincera, Marcela era uma grande parceira, foram anos de convívio interrompidos de uma hora para outra, de uma maneira brutal e traumatizante, na frente do filho pequeno. É ainda um assunto complicado para mim, mas vamos lá, havia histórico de violencia, sim. Creio que dificilmente alguém se torna violento do dia para a noite, de surpresa. Ainda assim, formavam uma bela família, os dois e o filho.


Mirgon - Ela alguma vez o denunciou ou tomou algum tipo de providência para que a violência parasse?

Monique Prada - O denunciou mas não levou o processo adiante. É complicado, jamais pensamos que ele fosse chegar a este ponto. Denunciar é complicado, a maioria das mulheres em situação de violência ainda é insegura quando se trata de denunciar. Ou por temer represálias, ou por não desejar o mal de alguém com quem conviveu por muito tempo, e com quem muitas vezes tem filhos. Então deixa-se passar. Felizmente nem todas acabam mortas, mas a vida em situação de violencia é algo realmente degradante,  para a mulher, filhos e mesmo para o agressor. 


Mirgon - O assassinato foi mais uma agressão que resultou em morte ou houve a decisão definitiva de assassiná-la? O assassino chegou a ser julgado e condenado? 

Monique Prada - Houve a decisão de assassiná-la, dias antes, inclusive com ameaças claras. Não tivemos tempo de recorrer à justiça, certamente também por ela ñ ter acreditado nas ameaças. Sugeri uma medida cautelar, mas era tarde. Ele cumpriu 27 dias de prisão, depois disso respondeu ao processo em liberdade. Não sei, realmente, se foi condenado. Cerca de três meses depois o encontrei trabalhando em um bom restaurante da cidade. Foi constrangedor. Eu tenho certeza de que ele se arreependeu, e tenho certeza de que eram bem melhores os tempos em que podia me olhar nos olhos sem a vergonha de ter me tirado alguém que foi muito importante na minha vida e, com certeza absoluta, na vida dele. Obviamente, ele tem o direito, e até o dever, de procurar reconstruir a vida, apesar do que fez. O que me pergunto é se não existe, ou não deveria existir, por parte dos órgãos responsáveis, uma política no sentido de não simplesmente punir o  agressor, mas encaminhar a um tratamento. Alguma medida educativa, psiquiátrica, algo que pudesse evitar tantas mortes e sofrimento. 


Mirgon - Na tua opinião, a Marcela poderia estar viva agora caso tivesse tido coragem para denunciar a situação a que estava submetida?

Monique Prada - Poderia, sim. Mas poderia estar viva apenas se as coisas pudessem ser como falei acima. A simples punição não resolve as coisas. É preciso atuar no sentido do entendimento e da conciliação. A punição é, sim, necessária e bem vinda. Mas sozinha me parece ineficaz em muitos casos. Não existe prisão perpétua, e o receio de represálias ao final da pena imobiliza muitas mulheres na hora de denunciar. talvez ela tivesse denunciado e sido morta assim que ele estivesse livre, como vemos toda hora nos noticiários. Além do mais, estamos falando de famílias... Somente punição talvez não tivesse salvo minha amiga.
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DCE da UFRGS: Eleições manchadas

Publico hoje matéria produzida por Alexandre Haubrich sobre o golpismo escandaloso da chapa da situação no DCE da UFRGS.
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Eleições para DCE da UFRGS ameaçadas por gestão atual
Alexandre Haubrich - JornalismoB

Se a campanha presidencial de 2010 foi marcada pela baixaria e por polêmicas, a eleição para o Diretório Central dos Estudantes de uma das maiores universidades do sul do país vai no mesmo caminho. Depois de sofrer sucessivas denúncias de corrupção, ameaçar impugnar a candidatura da principal chapa de oposição, a Chapa 3 – UFRGS Pública e Popular, a gestão atual do DCE da Universidade Federal do Rio Grande do Sul tenta agora impugnar o próprio pleito. As eleições começaram nesta segunda-feira, com votações nos dias 22, 23 e 24.

Circulou na imprensa local a informação de que, em uma reunião na noite da última sexta-feira, a Comissão Eleitoral teria aprovado a impugnação da Chapa 3, pois alguns de seus membros teriam agredido o presidente da Comissão, Adrio de Oliveria Dias, durante manifestação na manhã de sexta.

Adrio afirma que foi agredido por integrantes da Chapa 3 com socos e pontapés, tendo registrado, inclusive, Boletim de Ocorrência. Porém, os vídeos da manifestação mostram a saída do estudante com grande tensão, mas sem agressões. O estudante de jornalismo e integrante da Chapa 3, Rodolfo Mohr, um dos acusados de agredir Adrio, garante que o presidente da Comissão não foi agredido, apesar de ter passado hostilizando os manifestantes.

Mais tarde, confirmou-se que a impugnação na verdade não chegou a oficializar-se. Porém, a imprensa local já havia divulgado amplamente a “notícia”, contribuindo para causar confusão entre os estudantes aptos a votar.

Votação começa com confusões, agressões e novas ameaças

O primeiro dia de votação foi tenso. Qualquer pessoa estranha nos entornos das urnas causava expectativa. Mesmo assim, uma grande quantidade de estudantes já compareceu às urnas. Para votar, é preciso apenas o cartão da UFRGS e a senha correspondente.

Dois episódios, porém, tentaram macular o ambiente democrático buscado por três das chapas, a 2, a 3 e a 4. Ligados à Chapa 1, os ex integrantes da Comissão Eleitoral Adrio de Oliveria Dias, Claudia Thompson e Leonardo Pereira teriam ido ao Ministério Público tentar impugnar a eleição. Nenhuma notificação foi recebida por qualquer das chapas concorrentes.

Na urna em frente à Faculdade de Educação (FACED), outro problema. Segundo Nina Becker, estudante de Ciências Sociais e apoiadora da Chapa 3, uma integrante desta mesma chapa foi agredida com um soco por Cleber A. G. Machado, integrante da Comissão Eleitoral indicado pelo Diretório Acadêmico da Computação, ligado à situação. Além disso, ainda de acordo com Nina Becker, Cleber teria quebrado um vidro e rasgado as atas de votação, antes de sair do local preso pela segurança da UFRGS.

Formação da Comissão Eleitoral cercada de manobras

No dia 16 de setembro, os Centros Acadêmicos, responsáveis por garantir as eleições, formaram uma Comissão Eleitoral, que lançou um edital. Duas semanas depois, o DCE chamou nova reunião, na qual a proposta era retificar o calendário acertado no dia 16. Com a presença de 26 CA’s, o DCE se retirou da reunião, para, uma semana mais tarde, lançar um novo edital. Esse edital trazia novas regras, que subiriam os custos da campanha e dificultariam a inscrição de chapas maiores, como a 3. Por exemplo, a necessidade da presença de todos os integrantes das chapas no momento da inscrição e a obrigação de registrar todos os documentos de identidade dos apoiadores em cartório.

Mas o ponto mais polêmico defendido pela atual gestão do DCE era a votação pelo site da UFRGS, considerada insegura pela própria Reitoria da Universidade, por permitir que qualquer estudante votasse com a senha de outro. Além disso, o Estatuto do DCE prevê que o votante precisa apresentar um documento e assinar lista presencial. Caso a eleição ocorresse via internet, o temor é de que qualquer estudante vinculado a UFRGS poderia recorrer a Justiça e impugnar o pleito. Um acordo, por fim, uniu as duas comissões eleitorais e definiu a eleição por urna eletrônica, como na disputa pelo cargo de reitor.

A gestão do DCE, porém, mudou de ideia, e voltou a defender que o processo se realizasse via internet. A Reitoria da Universidade se demorava a liberar as listas de estudantes matriculados, impreterível para que a eleição fosse realizada, e uma manifestação foi convocada pela Chapa 3 para a última sexta-feira, na Secretaria de Atendimento Estudantil. O protesto reuniu cerca de 100 estudantes. Confirmada, enfim, a liberação das listas, Adrio, citado como um dos obstáculos para o processo eleitoral em um relatório que os estudantes pretendiam entregar, saiu pelo meio dos manifestantes.

Impugnação não foi comunicada oficialmente

Já no sábado, Rodolfo afirmava que a notícia da impugnação da candidatura poderia ser apenas um factóide, apenas mais uma manobra. A medida não foi comunicada oficialmente a Chapa 3, foi apenas vazada para a imprensa local. Para Rodolfo, seria mais uma forma de confundir os estudantes. “Mais uma” porque, no site da Comissão Eleitoral, os números das chapas 2 e 3 estão invertidos, segundo Rodolfo, deliberadamente.

Iur Priebe de Souza, um dos coordenadores da campanha da Chapa 2, critica as atitudes da Comissão Eleitoral e da atual gestão: “Estão querendo impugnar uma chapa por fatos que nem foram apurados. Isso é um abuso. Essa judicialização do processo é ruim para os estudantes. Precisam ganhar com programas e projetos, é isso o que tem que ser discutido”, afirma.

Gestão marcada por acusações de corrupção

No meio do ano, o advogado da atual gestão do DCE, Regis Coimbra, denunciou apropriação indébita de R$ 5 mil da entidade, pelo presidente Renan Pretto e o diretor de Relações Institucionais, Marcel van Haten. A investigação dos Centros e Diretórios Acadêmicos que se seguiu à denúncia apontou ainda outras irregularidades, como o favorecimento de amigos e familiares dos membros da gestão e remuneração desses mesmos membros, o que é vedado pelo Estatuto do DCE.
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ONDE JÁ SE VIU, POBRE COM CARRO?

Quando eu penso que já li todo tipo de manifestação preconceituosa, quando eu penso que algumas afirmações e pensamentos foram sepultados à outros tempos e que já não fazem mais parte do nosso cotidiano, surge alguma mente "brilhante" para mostrar o quanto estou errado e sou excessivamente otimista.

Existe uma ideologia de direita em franca expansão de forças no Brasil, algo nazista, algo fascista, algo medieval. Não é uma ideologia nova, pelo contrário, sempre esteve presente em solo brasileiro, trazida pelas caravelas de Cabral. Sofreu vários revezes, como a abolição da escravatura - mas conseguiu manter o pensamento escravagista! - e o permanente avanço em conquista de direitos de todos os setores da sociedade - alguns mais outros menos - mas nunca morreu de fato, sempre esteve alí, ardilosa, compondo e recompondo-se de várias maneiras.

Mesmo durante o século XX, apesar dos avanços dos direitos humanos e outras "bobagens", ela manteve-se fortalecida, tão fortalecida que não foram poucas as vezes em que ouvi que o Brasil era uma terra "abençoada, livre de preconceitos, de povo unido"... Efeito de uma ideologia dominante que disfarça-se ao povo como "comportamento natural". Lula, o operário ignorante que não sabe falar inglês e virou presidente do Brasil foi o "start" da saída dessa ideologia da inércia.

Distribuição de renda, política externa soberana, retirada de milhões de brasileiros da faixa da miséria, fim do "bolsão reserva" de força-trabalho com o maior índice de empregabilidade da história, redução do déficit habitacional, elevação do povo brasileiro à condição de consumidor e senhor de seu destino, tudo isso ao longo dos 8 anos de governo Lula, foram quase insuportáveis aos "iniciados" dessa grande ideologia.

Basta ver o que foi toda a campanha de José Serra, grande trincheira para tentar derrotar os miseráveis que tiveram a ousadia de "dilapidar" o Estado feito para servir a poucos e reconstruí-lo de maneira a servir a todos. A vitória de Dilma só serviu para que os raivosos - e mais descerebrados - como a Mayara viessem a tona expondo visceralmente o pensamento por trás do discurso perigoso da direita.

O comentarista da RBS TV em Santa Catarina, Luiz Carlos Prates, acusou os pobres - ou miseraveis como ele se refere - de serem os grandes culpados pela mortandade nas estradas. Para Prates, pobre não deveria ter carro. Prates só esquece de comentar que os carros que circulam nas estradas em velocidades de 140, 180 - até 200km/h - não são os pobres com seus populares 1.0. Eu desafio esse - perdão aos meus leitores pelo termo pouco usual em meus textos - verdadeiro imbecil a provar suas palavras.

É possível perceber na matéria a forma odiosa com que ele se refere aos "miseráveis" - chegando a dizer veladamente que pobre é infeliz no casamento e o rico não é. Aham, senta lá, Cláudia... Luiz Carlos prates é mais um dos truculentos canalhas colocados para incitar o ódio de classe na sociedade.

Qual a reação de quem acompanha e dá crédito às suas insanidades? Espanca mendigos, queima índios e não perderá uma oportunidade sequer de ver um miserável sendo "colocado no seu lugar".

Afinal, pobre não vive, sobrevive. Pobre deve existir para servir aos ricos, não para fazê-los perder tempo na fila do, por exemplo, posto de gasolina. Pobre deve servir para limpar o corredor das universidades, não para estudar nelas. Pobre deve educar bem seus filhos para que possam seguir sendo úteis aos filhos dos ricos, educados para saberem-se superiores aos do "nível de baixo".

Ora essa! Se não temos mesmo de concordar com Prates de que esse Lula protagonizou mesmo um governo espúrio, afinal, onde já se viu popularizar o consumo, dar crédito barato e fácil? Ah, se os tempos fossem outros... 

Palavras não são suficientes, é preciso ver e ouvir os absurdos ditos pela RBS TV na interpretação de seu comentarista:



Preparem-se: Esse é só o começo de uma profunda ofensiva desses setores da direita que não se conformam com o avanço social, que não se conformam com a derrota de suas ideologias miseráveis e preconceituosas.

O que vamos enfrentar no próximo período é uma luta ferrenha para trazer de volta o atraso, o preconceito, a segregação, o Brasil das elites, o Brasil dos porões abarrotados de negros, gays, índios, pobres, loucos e todo aquele que não seja digno da corte. O que vamos enfrentar no próximo período será o levante dos poderosos.

É possível que nos "enquadrem" no "nosso lugar" mais uma vez. Mas se não o fizerem, se pudermos segurá-los, então talvez tenhamos a oportunidade de conhecer de fato um mundo melhor.
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